Quatro aldeões no milagre do sol em Fátima, 1917

13 Outubro, 2017 | Sem categoria

As férias também servem para pôr a conversa em dia. Neste caso foi sobre Fátima. Já tínhamos informações seguras sobre um conterrâneo que tinha estado em Fátima no dia 13 de outubro de 1917. A pé ou cavalgando algum asinino, percorreu os cerca de 25 kms na companhia de mais três vizinhos. A experiência espiritual intensa fê-lo regressar a S. Simão de Litém como homem renovado, marcado na fé pela realização de uma profecia anunciada meses antes por Nossa Senhora aos pastorinhos. Cumpriu-se. E o milagre estaria mais nesse facto de profecia cumprida. O ardor espiritual de experiência intensa irradiou para dois filhos e duas filhas que se consagraram a Deus. Um deles, o Padre João Gameiro Alexandre, testemunhou por escrito a ida do pai a Fátima. E acrescentou que foram mais três que o acompanharam. Não diz quem tinham sido. Agora em 2017, inesperadamente, durante férias, vieram as respostas com dados de testemunhos de familiares sobre os outros três peregrinos. No seu texto o Pe. João Gameiro Alexandre dizia que o pai veio tocado pelo que viu e isso motivou o seu irmão António Gameiro a ingressar nos Irmãos de S. João de Deus, o qual, mais tarde, em 1943, faleceu quando superior/diretor da Casa de Saúde S. João de Deus de Barcelos. Foi ele que esteve na decisão de o mesmo Padre João Gameiro, seu irmão, trocar o seminário de Leiria pelo Noviciado da Ordem de S. João de Deus, no Telhal, quando as suas duas Irmãs se faziam religiosas hospitaleiras. Em Junho de 2017, durante o Congresso Internacional das aparições em Fátima, veio o testemunho da Irmã Albertina Gameiro Neto, também das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, minha segunda prima, por parte dos Netos, que ouviu ao seu avô, irmão de minha mãe, a experiência de ter estado em Fátima. Deu o seu testemunho a mim e à minha sobrinha Carminda Gameiro. A Irmã Albertina ouvira repetir a suas impressões do milagre que o seu avô Manuel Sapateiro Neto presenciara em Fátima. Sapateiro de profissão, remendava os sapatos de família que eu em criança lhe levava. No dia 30 de Julho, o Eduardo da Costa Neto, irmão da Albertina, no leilão para a festa da paróquia, deu igual testemunho do seu avô. Faltava saber quem seriam os outros dois. No dia 29.08.2017, após a missa na capela do Arnal, a Celeste, filha de Francisco Marques da Silva, por alcunha, o Rito, nascido a 13 de Abril de 1897, em conversa confirmou o que o seu irmão Manuel Conceição Silva já me tinha testemunhado num almoço em Lisboa, no dia 27 de julho: o pai tinha sido um dos que viram o milagre do sol em Fátima. Francisco Marques tem um filho sacerdote salesiano e uma filha assuncionista, recentemente falecida.E por fim, ainda no referido leilão, falava-se dos 100 anos de Fátima e de quem da freguesia tinha visto o milagre e logo um dos presentes, o Armando, filho do Serafim Alho, foi perentório: o meu avô Manuel Pereira Alho, também lá foi. Falava-nos das impressões maravilhosas que vivera na Cova da Iria em que fora com os amigos.


Neste jubileu do 13 de outubro de 1917, podemos concluir, em primeiro lugar, que as notícias do que foi acontecendo na Cova da Iria em 1917 e do milagre que ia haver, correram velozes e chegaram às áreas rurais de S. Simão de Litém, Pombal. E, em segundo lugar, que essas notícias motivaram alguns jovens e adultos a deslocar-se à Cova da Iria nos dia 13 de Outubro de 1917, sem medo das ameaças que pairavam sobre os corajosos. E, finalmente, que essas pessoas regressavam tocadas e confirmadas na sua devoção a Nossa Senhora e na sua fé cristã em tempos em que fora confiscado o passal e os espaços do cemitério da Igreja pelo golpe revolucionário de 1910. As experiências de Fátima, afinal, tornaram-se uma forma de evangelização entre familiares e vizinhos e estão na origem de vocações religiosas na freguesia.

S. Simão de Litém, 22 de Agosto e 13 outubro de 2017
– Pe. Aires Gameiro