Cada vez mais a investigação indica que os problemas de saúde mental representam um grave problema de saúde pública acarretando uma série de consequências diretas e indiretas.

Tendo em consideração que é recente a abertura da Delegação da Fundação S. João de Deus do Porto, por cá o caminho percorrido tem sido no sentido de divulgar os nossos projetos sociais no âmbito da saúde mental, nomeadamente, o Mentalizar e o Escutatório. O projeto Mentalizar consiste na dinamização de ações de sensibilização para a importância da saúde mental em contexto laboral, dirigidas às empresas e instituições ao nível individual, social e económico.

É interessante perceber a quantidade de campanhas de prevenção de variadas doenças físicas quando comparadas com aquelas que se focam na prevenção da depressão e outras doenças mentais. Porquê negligenciar a doença mental em detrimento das outras doenças? É a partir desta questão que surgiu o nosso projeto de sensibilização: Mentalizar.

O projeto Escutatório foi desenvolvido com intuito de minimizar o sofrimento das pessoas com psicopatologias diagnosticadas ou que que se encontrem a vivenciar uma fase de fragilidade emocional e/ou isolamento e visa um acompanhamento individualizado que consiste primordialmente na escuta ativa, no apoio emocional e no suporte motivacional para realização de ações que possam promover a autonomia, bem-estar e qualidade de vida. Hoje sabemos que a ausência de uma doença mental não é, necessariamente, sinónimo de boa saúde mental. Assim sendo, o acompanhamento do comportamento diário de uma pessoa é a melhor forma de conhecer o estado da sua saúde mental e de poder, se for o caso, atuar numa perspetiva de prevenção. Na delegação do Porto pretendemos atuar prestando acompanhamento a pessoas com perturbações mentais já diagnosticadas mas também, se possível, numa fase preventiva, incidindo particularmente nos fatores de risco que, muitas vezes levam ao desenvolvimento e/ou agravamento de variados problemas de doença mental. Fatores como a solidão, o isolamento, a falta de rede de suporte social.

Muitas vezes por serem consideradas “perturbações ligeiras” as pessoas com doença mental não recebem tratamento adequado o que pode ser preocupante no sentido em que existe o risco eminente destas perturbações poderem evoluir para algo mais grave.

A saúde mental também passa pela interação interpessoal positiva, convívio e envelhecimento ativo, portanto, temos também desenvolvido e dinamizado atividades culturais para a comunidade e, em particular para as pessoas mais velhas que têm contribuído para a prossecução dos projetos sociais dos irmãos de S. João de Deus.